Insistentemente persistente. Inúmeras vezes são aquelas, em que nos deparamos com alguma coisas realmente persistente. Sem apelar para a máxima populista do brasileiro que não desiste nunca, me refiro a coisas mais insistentes. Aquele pequeno animal na sua parede, inseto de cor avermelhada percorrendo uma imensidão de centímetros carregando uma migalha tão grande que parece encobrir o sol no horizonte. Arrastando, suada, perdendo uma pata, desafiando a gravidade ao manter-se vertical num mundo de horizontalidades.
Há quem o diga que a natureza é persistente, mas isso é pura balela. A gravidade sim, essa é persistente. Tenaz. Ferrenha. Débil de certa forma, visto que posso facilmente levantar este grampeador sem aparente esforço. Engana-se quem crê escapar desta obstinada inimiga das coisas materiais, ela vai deixar você pensar que está no controle de sua vida, que pode vencê-la, mas no fundo poucos escapam de suas garras e aqueles que escapam já estão por demais viciados e passam por grandes crises de abstinência em sua urgência por retornar à nossa prisão atmosférica.
Acordei com o otimismo em minhas mãos? Fui profundamente perturbado hoje, por um sujeito deveras persistente, para que fizesse uma tarefa mal feita amanhã porém recusei-me a fazê-la. Não estou chateado, imagine-se num mundo onde ninguém lhe exige uma tarefa mal feita ser cumprida. Penso que no futuro trarei mais imagens a este espaço. Quem sabe? O sabe. O sabe?
Sujeitinho alado persistente esse, mesmo em dias de chuva continua a apresentar um fetiche incompreensível por orelhas. É tempo que eu vá, preciso levar uma conversa com este mosquito.